quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Comentador Das Bananas

Comentador Das Bananas

“O conhecimento não se adquire

por numerosas narrativas,

mas seguindo o conhecimento

e usando-o.”

In As Noites das Mil e Uma Noites

do prémio Nobel de Literatura

Naguib Mahfuz

Desta minha Matola

Para Virgílio Sitole,

Esse filósofo da dança

que aprendeu a coreografar a vida


Meu companheiro, não fui ver teu bailado como havia prometido. Sabes qual é a minha opinião sobre a dança contemporânea. Acho que a minha sensibilidade não é civilizada para a dança contemporânea, ainda não me emancipei do xigubo já que me parece haver uma resistência dos nossos coreógrafos em contemporanizar as nossas danças tradicionais. Não é possível mano?

Mas um dia falamos disso.

Cá desta pátria do Índico, sabes companheiro, estamos a viver um forte momento eleitoral. Penso que dessa China onde te encontras escapas aos efeitos colaterais desta campanha desenfreada.

Mas não é a campanha meu companheiro que me deixa preocupado. Não são os discursos fervorosos dos políticos com as suas promessas utópicas que me desesperam. Não mano. As loucas promessas de bem-estar “se ganhar as eleições” é o papel dos políticos. Quando presto atenção a uma campanha eleitoral tenho de estar preparado para ouvir promessa de “escola a dois metros da minha casa” ou de “oferta de 10 hectares de terra a cada moçambicano”.

O maior barulho é sobre a exclusão de uma série de partidos que se candidatavam para cadeiras de poder. É compreensível a raiva de João Massango quando decreta “o luto nacional” depois de quebrar-se o último galho de esperança que era o Conselho Constitucional.

Mas o que não dá para perceber são as visões unilaterais dos nossos comentaristas e jornalistas que se despem da “imparcialidade” e escolhem alvos a abater. Sei que me vais questionar acerca da imparcialidade pois já falamos algumas vezes sobre isso. E nessas nossas conversas já o assumi que a partir do momento que vivemos num meio nos deixamos envolver em companhias, consumimos o que a sociedade nos oferece, a nossa capacidade de ser imparcial enfraquece.

Mesmo assim mano, temos a obrigação de nos esforçar em direcção a imparcialidade. É isso que se exige do jornalismo e dos comentadores como agentes facilitadores de compreensão de fenómenos e infelizmente não é isso que está acontecer.

A nossa imprensa é feita de induções. Os nossos jornalistas transformaram-se em futurologistas. Os nossos comentadores escolheram dois alvos a abater, CNE e Conselho Constitucional. Transformaram os partidos políticos em vítimas dessas duas instituições ilibando-os de quaisquer erros. Eles são mais limpos que a virgem Maria.

Ignoram o reconhecimento dois erros que esses partidos já vieram assumir porque já escolheram os seus tambores. Eles fazem os seus ritmos de vítima e convidam o eleitor a dançar numa coreografia pior que a da dança contemporânea do meu ângulo de visão é claro.

O engenheiro Venâncio Mondlane, o comentarista mais concorrido de momento, no seu esforço de neutralidade apareceu na STV a fazer um recorte daquilo que ele considera o mundo. Para ele em nenhum tribunal do mundo não se tomam decisões até altas horas, ou fora do horário normal do trabalho. É mano, deixava claro que o que ele nunca ouviu ou viu é porque não existe.

Como tantos outros comentadores de momento recorrem sempre a artigos para suportarem as suas opiniões. No entanto eles pegam os artigos como partes isoladas e não como partes integrantes de todo um pacote de lei.

Para mostrar o fracasso do CC, engenheiro Venâncio levou aos estúdios daquela estação emissora uma banana. Estava constantemente a apalpar o bolso como para certificar se ela não teria cedido a temperatura e amolecido. Depois a exibiu mostrando que estamos num país das bananas.

Claro que estamos num país das bananas. Quando temos comentadores e jornalistas que no lugar de ajudarem a compreender os fenómenos de uma forma global escolhem apenas partes para nos darem como verdades absolutas, não ajudamos a desenvolver esta pátria amada.

Eu acho Sitole, que este país está habituado a se fazer tudo sem se respeitar a lei. Estamos num país onde as pessoas estão preparadas a perdoarem a qualquer infracção em nome da estabilidade. Mas a nossa paz e liberdade não pode ser feita a custa da escravatura.

Alguns diplomatas vieram juntar suas vozes (largamente discutida aqui), a mais elevada e irritada delas foi do encarregado de negócios dos EUA, Todd Chapman que falava de uma democracia inclusiva. Hawena, é incluir só por incluir?

Penso que a democracia tem regras e todos as conhecem, assim como todos nós sabemos que as regras são para serem cumpridas.

Mas vamos vivendo esta saga eleitoral mano, com comentadores das bananas que se convencem que são— como diria personagem da telenovela Chocolate com Pimenta – donos e proprietários da verdade. Se esquecendo mano que a única vantagem que têm em relação aos outros é o acesso ao microfone e a páginas dos jornais.

Prometo mano ir ver a gala dos 30 anos da companhia. Mesmo que seja dança contemporânea, faço esse sacrifício para que me contes como são as chinesas.

Aquele abraço, desta pátria onde se o assunto for cuidar dela, me assumo parcial.

PC

25 comentários:

Custódio Duma disse...

Bananas...lembram-me Macate...Sussundenga, em Manica, a terra de bananas grandes e doces! Bananas verdadeiras e sem contaminacao de adubos ou químicos...
Ai Ai Ai...Há quanto tempo nao como uma fruta verdadeira e nutriente?

Egídio Vaz disse...

Yep mano Mapengo. Boa análise. Eu acho que o Eng Venâncio fez o que achou melhor para explicar aos telespectadores em que país ele considera estar a viver. Bananas. Mas as bananas são boas. EU podia entender assim e concluir que é um país onde vale a pena viver. Porque a mensagem, o tom e os gestos contrariavam essa visão, fui induzido a entender que o sentido era contrário. As bananas, afinas não são boas de todo. São uma fruta, fácil de adquirir e fácil também de degradar-se quando em más condições. Portanto, as bananas são, neste sentido, uma fruta que necessita de cuidados muito especiais para quem as possui. O simples facto de o ENg Venâncio tê-la trasido debaixo do casaco, posso entender que ele não é bom cuidador de bananas. E, se fosse eu, jamais comia nenhuma fruta que ele me oferecece. Um dia podia trazê-la debaixo do assento do seu carro.
Bom, chega de piada.
O ENg Venâncio, querendo compreende-lo, quis dizer que este país não existe, senão nas mentes que acham que mandam e desmandam. E ai, a coisa é outra. É sempre doloroso cortar cordões umbilicais.
Abraços

Nero Kalashnikov disse...

Egidio,
Estamos numa republica das bananas porque em nenhum pais do Mundo um tribunal decide depois das 15:30h? No Codigo de Processo Penal o artigo 414 estabelece que: "A audiencia de julgamento sera continua; o juiz somente a podera interromper quando for absolutamente necessario". Se nao for absolutamente necessario, a audiencia de julgamento deve continuar. E o principio da continuidade da audiencia. Eh por isso que no caso "Cardoso" as audiencias na BO iam para alem das 17h e so terminavam porque o Juiz Paulino entendia que a escuridao poderia criar ocasioes para os reclusos criarem motins e fugirem da cadeia. Por isso interrompia as audiencias, mas sempre depois das 15:30h e porque era absolutamente necessario. Eu, nao poucas vezes, saio de julgamentos depois das 20h! A lei eh clara. E com bananas nunca sera possivel compreende-la. So com as leis se compreende o Direito. Nunca vi nem ouvi falar que alguem investigou patologias das palantas usando Leis. Compreendes? Aceito que possamos estar numa republica das bananas. Sim, estamos porque os julgamentos costumam a ter lugar para alem das 15:30h...

Ximbitane disse...

PC, na tua carta retive um aspecto importante, do qual concordo as promessas eleitorais de bem-estar “se ganhar as eleições” é o papel dos políticos.

Mas, caro PC, nao se pode ignorar que o jornalismo é uma força a ter em conta nesta altura do campeonato e outra força floresce à olhos vistos: os comentadores.

Ora, quem quiser ignorar esta "nova força" que o faça, mas o poder de perssuação, de influencia ou la o que seja é muito forte: muitos prestam mais atenção ao que estes dizem do que aos discursos dos politicos, as analises leiistas (yuuu, ximbi, existe isso? quero dizer leis) dos juristas, etc.

Agora se é banana ou casca... Come com casca dele!

Matsinhe disse...

Mapengo,

O "Comentador das Bananas" é fruto desta sociedade que valoriza os gritos, as adjectivações e gosta de declarações bombásticas.

Nós produzimos o comentador das bananas e ele se reproduz através da TV, digo, STV que, para garantir audiência tem-no, nos espaços noticiosos, nos programas interactivos, nos programas da criança onde ele dá o seu espectáculo, e no que a lei diz respeito, fazendo acrobacias da sua ignorância.

Nós produzimos o comentador das bananas, que ingenuamente anuímos com ele em cada coisa que comenta sem, ao menos, ir ler as mesmas fontes que ele, consultar outras etc mesmo quando ele comenta sobre, condução automóvel, pilotagem, navegação, agronomia, direito, economia, jardinagem, cobertura das palhotas em Dindiza -onde de certeza ele não sabe onde fica, carpintaria, marcenaria, chapas, camionagem, formigas, búfalos, elefantes.

Nós produzimos este Comentador das Bananas especialista em todos os assuntos dos quais se manifesta e se reproduz com todas as certezas fruto de leituras rápidas e despegadas de um report aqui, um paper lá e uma lei comprada às pressas na Imprensa Nacional como se ler uma lei o fizesse especialista em direito.

O Comentador das Bananas pegou-se as normas do funcionalismo público e parou por ai: 1530 fecha o expediente na função pública; esqueceu-se que mesmo aí se fazem as chamadas horas extras.

O nosso comentador das bananas que leu uma lei achou que essa era bastante e zás lá veio com a sua banana a dizer que o país não existe porque os juízes do CC estavam a deliberar "fora de horas" e os acórdãos estariam feridos de ilegalidade por isso. QUe aberação Venâncio. Porque não vais te formar em Direito para não caires no ridículo? Ainda bem que o Nkutumula citou o princípio da continuidade da audiência.

Da mesma forma que desmereceu e reduziu a nada o trabalho daquela gente, anula o esforço de milhares de professores que trabalham, em épocas de exames p.ex, para além de horas para que milhões de alunos tenham seus resultados; anula o esforço do pessoal da saúde que, em centros que fecham 15 horas, não mandam ninguém para casa antes que os que ali se apresentaram tenham assistência... afinal o horário da função pública é até 15.30 SEM EXCEPÇÃO.

Isto é uma República das Bananas porque nós aplaudimos acriticamente o que dizem comentadores especialistas em todos os assuntos como o Venâncio, alimentando o seu narcisismo quanto as suas extraordinárias capacidades que até pode ter, mas não são ilimitadas. Pelo menos em direito são limitadíssimas.

Matsinhe

Júlio Mutisse disse...

Meus caros,

De uma coisa não tenho dúvidas, o Venâncio é um tipo culto. "Consome" informação, lê e, em algumas circunstâncias, está por dentro das coisas.

Mas ler leis é diferente de ler um romance um relatório, ou tese. Não basta pegar numa das leis do pacote eleitoral para se arvorar conhecedor absoluto da matéria e lançar impropérios contra todos e contra tudo. Pode não parecer, no que tange a leis, não há compartimentos estanques e há que ler e interpretar tendo em conta outras leis. Olha que até a fundamentação do CC chama a colação o Código Civil e muitas outras leis... isso mostra a interligação do sistema.

O Direito é uma ciência, tem os seus princípios que até é possível que o Eng. Venâncio os conheça (fruto da sua leitura erudita e de uma possível auto-indução em Direito).

Acho que o nosso amigo Mondlane passa, muitas vezes, acima disso. Suspeito que ele não admitiria que eu pontapeasse os princípios da sua área de formação mas, no dia das BANANAS ele veio praticamente dizer mais o menos o que o Nkutumula num comment no seu blog (onde corre um debate interessante) diz sobre o problema de muita gente pensar que todos os que tiram o curso de Direito são uns parvos, porque para saber o Direito não é necessário ir à faculdade.

E a bananice da nossa república mostra-se na velocidade com que abanamos a cabeça em sinal de aceitação às opiniões de alguém, mesmo sem antes visitarmos (como diz o Matsinhe acima, de certeza depois de ler meu email rsss) não só o instrumento que serve de base para as afirmações do tal opinador, mas também outros que, de uma ou d'outra maneira possam estar com o assunto relacionados.

Mondlane granjea respeito nesta sociedade que aprendeu a ouvi-lo como alguém que diz verdades, que conhece os assuntos. É assim como é visto. E não hajam dúvidas, Mondlane diz muitas verdades mas, igualmente, se equivoca quando se mete em determinadas matérias como as jurídicas para as quais é necessário mais do que ler as leis que estão disponíveis na Imprensa. É necessário conhecer um conjunto de princípios interpretativos e outros que fundam este edifício. Se fosse só ler leis para sermos delas conhecedores e opinadores abalizados, Direito não seria mais o curso que MAIS debita para o mercado nem a ordem dos advogados existiria e qualquer um poderia ser juíz, procurador, consultor jurídico etc.

Em alguns assuntos, não há como, há mesmo que ser comedidos. Colocarmo-nos em bicos dos pés como conhecedores de tudo e mandarmos a fava gente, tudo e todos não ajuda a formar a consciência que é necessário formar na nossa sociedade, isso porque, muitas vezes deformamos mais do que formamos e/ou desinformamos mais do que informamos.

Júlio Mutisse disse...

Xim, concordo consigo. O jornalismo deveria ser mais do que um difusor do que está acontecer; mais do que difusor do que Dhlakama, Guebuza e Daviz estão a fazer onde estão, para ser um auxiliar na percepção das mensagens que eles transmitem. Infelizmente, não está a ser assim e o Mapengo, como jornalista e Editor, também leva culpa nisso.

Quanto aos analistas/comentadores, são necessários, influenciam, formam opinião. É difícil não dar por eles.

O que se lhes exige é que sejam comedidos sob o risco de se revelarem pior que os políticos de ocasião; reconhecerem as limitações no saber etc. O tempo do saber enciclopédico morreu com malta Sócrates e não há como opinar sobre tudo com a mesma fluidez com que opinamos das nossas áreas do saber.

Como acha que os meus conterrâneos em Manjacaze podem ter recebido a opinião de UM DR. CONVIDADO PELA TV, segundo a qual o CC estava a cometer uma ilegalidade por estar a deliberar DEPOIS DAS 15.30? De certeza ridicularizam o CC, deixam de confiar nas instituições e o Estado sai a perder. Nem se quer avaliam que possa estar errado e ESTAVA DE FACTO. É isto que queremos?

Chacate Joaquim disse...

Kar Marx era formado em Direito mas é um dos titulares da economia política, poderia buscar mais exemplos se quizerem!

Maior análise de todos os tempos sobre comercio internacional foi feito por alguém que inclusive teria perdido emprego na função pública mas a sua obra lhe deu um lugar no grupo das organizações como Banco mundial, FMI etc...

"... É necessário conhecer um conjunto de princípios interpretativos e outros que fundam este edifício. Se fosse só ler leis para sermos delas conhecedores e opinadores abalizados, Direito não seria mais o curso que MAIS debita para o mercado nem a ordem dos advogados existiria e qualquer um poderia ser juíz, procurador, consultor jurídico etc." creo que seja trecho do economista Basílio Muhathe o breve trecho. eu acrescento que todos os escritores por favor passem pela faculdade de linguas; Proponho a eliminação da palavra auto-didácta. depois voltamos para associar o "erro" do Engº Venâncio com o facto de não ser graduado nem MA em Direito.

Júlio Mutisse disse...

Chacate, esse trecho é meu. Não retiro nem uma vírgula do que disse. Respeito o Mondlane de quem concordo algumas vezes mas, para se pronunciar naqueles termos, era necessário que ele estivesse munido de muitas coisas: conhecimento dos princípios interpretativos das normas jurídicas e do conjunto de leis que poderiam sustentar o que, com todo o vigor, certeza e espetáculo, erradamente, disse na TV.

Podemos todos opinar sobre economia e/ou até escrever livros; podemos escrever tratados fora das nossas áreas de formação mas isso não se faz a toa Chacate; requer tempo, estudo, investigação, consulta etc. Digo te que se o Venâncio se tivesse dado ao tempo de investigar (como bem o faz noutras coisas) os princípios e normas que regem a actuação de órgãos como aqueles no nosso ordenamento jurídico, ele não teria caído naquele erro.

Erros todos cometemos e não é o erro do Venâncio naquele dia que me repugna; são os adjectivos, a desqualificação, com bases erradas, de um todo constituído por gente que comete seus erros, mas tem conhecimentos de direito mais sólidos que os dele, não só fruto de formação mas de muitos anos de exercício de funções ao mais diverso nível.

Chacate Joaquim disse...

Sorry pela troca de autores.

Com todos o respeito Mutisse, "o erro" do Venâncio Mondlane não está no facto de não estar formado em direito, porque como afirmas no teu último comentário Juizes eleitos (experientes) MA e Doutorados numa área cometem erros! portanto, estamos juntos quanto ao que se refere à aprofundar as matérias antes de levar para o consumo público. esse é o trunfo.

Júlio Mutisse disse...

Claro Chacate, todos cometemos erros mesmo nas áreas em que nos consideramos MAIS abalizados. É por isso que sugiro que sejamos mais comedidos quando metemos a mão em campos que não são os nossos; não podemos nos pronunciar com tal desenvoltura como se estivéssemos dentro da coisa e soubéssemos tudo.

O erro dele foi não ter aprofundado as matérias antes de as levar para o consumo público e, mais do que isso, apresentar-se como abalizadíssimo na matéria desqualificando os intervenientes nos passos que estavam a ser dados...

Nero Kalashnikov disse...

Malta. Está-se aqui a falar de uma pessoa. Coitado do homem! Errou feio, sim, e nem se lhe foi dada oportunidade para, com o mesmo destaque, devolver a verdade das coisas à população. O que é mau para mim, não é errar. O erro é sempre involuntário. Senão não seria erro. O que é mau é não corrigir o erro. Isso sim, é muito mau. Esperemos pela próxima oportunidade que ele tiver lá na televisão. Se corrigir o erro, teremos de perdoá-lo. Se não corrigi-lo, então este debate será justo. O que me irrita mesmo, meus caros irmãos, é a frequência com que se imiscui no Direito e diz aberrações jurídicas. Isto sim, irrita-me.

Anónimo disse...

Esse Engenheiro Venáncio é um espanto. Fala de economia com todas as certezas. Fala de medicina sem mostrar nenhuma dúvida. Fala de direito melhor que todos os juristas juntos. Conhece todas as doenças dos animais, das plantas e dos homens.

Tantas certezas já deveriam ter feito os mais avisados desconfiarem. Só mesmo a mais profunda ignoráncia elimina todas as dúvidas.

Eu até posso comentar sobre todos os assuntos. Tenho cultura geral para tal. Mas não discutiria detalhes com um físico nuclear. o Engenheiro Venáncio que conhecemos debate detalhes de todas as especialidades.

Ainda não percebeu que não lhe chamam por ser sábio. Mas sim para entreter as audiências.

Viriato Tembe

Anónimo disse...

O amigo Mondlane tem uma grande capacidade de destabilizar os seus oponentes nos debates, achincalhando-os com base numa adjectivação a todo o terreno.

É nessas ocasiões que é efusivamente aplaudido pelas plateias. Quanta gente sensata, nobre, estudiosa... foi vilipendiada por este comentador das bananas

PC Mapengo disse...

Mano Duma

Também gosto das bananas e sinto falta de uma verdadeira banana ou de fruta verdadeira e sem adubos.
Egídio me diverte a forma como colocas as coisas. Foste buscar um sentido de humor que várias vezes tem caracterizado este país. Temos sempre uma capacidade de nos rirmos das nossas desgraças. Realmente este é um país onde dá para se viver.
Ximbi, faz tempo que não falamos. Ainda bem que passaste por cá.
O que me preocupa minha querida Ximbi é exactamente isso, é o facto de o jornalismo não estar a ser como tu dizes, uma força a ter em conta nesta altura de campeonato. Acho, e aceito as críticas de Mutisse ao meu papel como jornalista e editor, dizia achar que o jornalismo podia ser uma força a ter em conta nesta altura do campeonato. Mais do que os comentadores, que podem por várias razões escolherem o seu lado de campo, o jornalismo, tem de se esforçar por escolher o ângulo central da sua visão.
Invente tempo num dia de semana, recolha todos os tablóides publicados nesta pátria amada, grave os noticiários radiofónicos e televisivos verás que não te surpreenderá a tendência do nosso jornalismo. É com isso que não concordo Ximbi.
Como disse é difícil ser imparcial quando dependemos das telefonias móveis para sobreviveremos. Mas ninguém disse que difícil é impossível. E enquanto nos restar uma oportunidade para, no mínimo se parecer imparcial há que se fazer um esforço. E neste caso dos partidos políticos, CC e CNE os órgãos de informação não desempenharam com rigor as suas funções.
O jornalismo e os comentadores devem ajudar a compreender os fenómenos, devem ajudar a clarificar e não aumentar confusão. E, nesta altura do campeonato pouco se está a fazer nesse sentido. O esforço que muitos comentadores e jornalistas fazem é de enquadrar o olho na mira para numa distância de dois metros acertar um elefante.

Kalashnikov, para mim o que irrita não é imiscuir-se no Direito, é o silêncio tumular das pessoas que percebem do assunto. Podem até dizer que não nos dão palavra, mas poucas vezes essas pessoas serão dadas palavra, então é forçoso que arranquem a palavra.

Para não ter que trazer toda a frutícola prefiro não me meter nas questões de Direito, mas que fique claro que não basta citar leis, é preciso interpretar.

Matsinhe disse...

Errar eh humano Nkutumula. Todos, em alguma coisa erramos ou erraremos um dia.

O que te irrita eh o mesmo que me irrita a mim. Irritam me as espectaculosas acrobacias da ignorancia juridica (e outra) do nosso amigo muitas vezes elevadas ao nivel do saber absoluto.

Que venha se retratar. Eh o minimo que ele e a STV e ou Bordina podem fazer. Mas tenho duvidas ele eh narcisista demais p isso.

Júlio Mutisse disse...

Nkutumula, concordo. Basta. Mas haja pudor. Fui.

Anónimo disse...

pareceme que este debate tem alvo o eng venancio, nao so advogado dele aliaz sao gafes que ele vai cometer durante algum tempo e normal pois ele esta no processo de aprendizagem e pode ser que ele nao se deu conta disso, mas deixando os gafes para traz pelo menos ele e dos poucos que em analises traz dados ainda que possa cometer gafes na interpretacao e dos poucos que procura ser contundente nao deixando duvidas ate pode ser falacioso mas quantas vezes ele neste programa que o chamem de programa de crianca nao foi directo com o que e obvio, errando como nao ja deu mostras de que e curioso e este tipo de comentadores que queremos nao aqueles que tentam tapar o sol com a peneira, nao so advogado do comentador de banana mas posso defende-lo admito que pelos ideais, seria pior do que aquele caso de niquisse nos pontos de vista jurista que na altura nao tinha conhecimento de uma lei sobre a dessolucao do parlamento municipal, pelo menos e curioso, a principal arma de cientistas todos deveriam ter ora existe o principio de interdisciplinaridae das ciencias

Egídio Vaz disse...

Do Nero ao Anónimo, todos, muito boa noite.
Vocês sabiam que comentar na TV é também uma forma de fazer espetáculo? Não é por acaso que em inglês chamam SHOW.
Querendo como não, vamos aceitar que cada um se expresse como quiser. Se cometer um crime o ofendido que o processe. Se disser boa coisa, aplaudam os que dele gostam e admira e, se disser baboseiras, que seja "chimbado". Aliás, este debate está exactamente a cumprir um desses papéis. Não podemos é estabelecer limites ou balizas do que é e do que não deve ser em debates públicos, a não ser as regras estabelecidas no próprio debate. Eu lutarei eternamente para garantir que cada um seja como cada qual. Se meter o pé na poça eu ajudarei a tirá-lo, estendendo a minha crítica severa e impiedosa.
Ele disse que vivemos num estado de bananas porque em nenhuma parte do Mundo (Mundo dele, diga-se)julga-se até alta hora. E Nero veio provar-lhe o contrário. Só isso é suficiente para da próxima vez ele nunca mais voltar a falar coisas sem ter a certeza absoluta.
Ajudemo-lo entao a melhorar.
Abraços a solidariedade e interajuda

PC Mapengo disse...

Esta carta não tem como alvo o engenheiro Venâncio como o anónimo “advogado” pretende demonstrar. É claro que o jovem comentador traz dados e é o que mais aparece com entradas ríspidas como se diria no futebol. Mas como diz Vaz comentar é um espectáculo, para mim TV, no seu todo, é um espectáculo e tudo que se faz é para animar a audiência. A forma de aprsentar os programas, até noticiosos é um espectáculo. Estamos sempre preparados para aplaudir quando o show for dos melhores e para torcer o nariz quando nos saber a burla.

Ximbitane disse...

PC, posso nao "escorregar na banana", mas estou sempre atenta às cartinhas.

Concordo com o que o Matsinhe diz, os comentadores sao fruto das audiencias, sim senhor. Mas, ja agora surje uma questao: não seremos nos também, bloggers, comentadores de banana?

PC Mapengo disse...

Ximbi… lamento, mas os comentadores de banana não estão simplesmente na TV. É claro que os comentadores são fruto de audiência. Não interessa nada a um canal de TV até mesmo a um jornal ter um comentador/colunista que prende audiência, a não ser que esses órgãos estejam simplesmente a procura de alguém que preencha os espaços vazios. Mas não quero acredita nisso. Os bloggers não podem fugir a essa realidade.

Nero Kalashnikov disse...

So para informacao da Anonima que diz que o Antonio Niquice eh jurista. Ele nao eh jurista. Estudou Relacoes Internacionais. Nunca estev numa faculdade de Direito. Atencao...
Soh mais uma coisa: Porque eh que uma televisao que se quer seria, para um telejornal em que o tema a ser comentado tem a ver com questoes estritamente juridicas, chama um Agronomo!? Ja pensaram nisso voces? Nao tarda e vao chamar o Nero, que eh jurista, para ir comentar sobre mega-estruturas e pontes... O que esperam que aconteca? Gaffes atras de Gaffes. Comeco a desconfiar que aquela televisao quer ridicularizar o nosso brada Venancio fazendo-lhe passar por este tipo de situacoes...

PC Mapengo disse...

Nero
Não quero desempenhar nenhum papel de advogado daquela TV, também seria ridículo um historiador/jornalista prestar-se a isso. Mas acho que aquela TV se deixou influenciar pela ideia que o engenheiro criou em todos nós que pode ser usado como bulldozer. Também, voltando ao que disse Egídio Vaz, acho que para espectáculo que é a TV ele sirva melhor que qualquer jurista, pela forma como ele levanta as questões e a confiança que isnpira

Anónimo disse...

Ainda bem que se concluiu que durante estes meses estavamos perante uma fraude. Estavamos perante alguem que nos levou a pensar que era especialista de todos os assuntos. Antes mesmo deta monumental gafe, o senhor Venancio ja tinha cometido muitissimas outras. Com a sua maneira estreita de ver os assuntos, dogmatica, espectaculosa e sem a devida contextualizacao. O que acontece eh que os k fizeram ciencias politicas, economia, historia, comunicacao... nao sao tao unidos e corporativos como os juristas. Quando, mais uma vez, o Venancio quis brilhar na base da sua falta de consciencia quanto as suam limitacoes, foi ridicularizado pelos juristas. Porque ousou brincar com uma classe muito unida. Etelvino