quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Carta de Índico

O simples facto de se dizer

que todos são iguais perante a lei,

já é uma injustiça

Não me lembro onde li isto



Matola, 2 de Setembro de 2009

A Ouri Pota

Te recordas das noites quentes de Maputo, mano?

Te escrevo cá do Indico meu irmão, onde ainda saboreamos timidamente, pelas rádios nacionais, as gostosas músicas dos Gorwane e Celso Ricardo anuncia, pelo menos uma noite do Alambique com o bom do Hortêncio Langa e Arão Litsuri.

Quando assunto é arte me assumo saudosista. Isto vem dos tempos que percorríamos as noites de Maputo nos intermináveis “concertos Verão” de Alex Barbosa em que a capital se transformara no poço dourado dos músicos angolanos primeiro e cabo-verdianos mais tarde.

Te recordas mano? Éramos jornalistas culturais.

Nessa altura os debates televisivos e radiofónicos preenchiam duas horas a discutirem se era música moçambicana ou música feita por moçambicanos. Até hoje não sei o que se pretendia porque os meus manos dos MOZPIPA não pararam de cantar morena de Moçambique e as mulheres se deliciavam com a sua forma elegante de vestir.

Nessa altura, mais do que discutir, mano, o país que saía de uma longa guerra civil – é esta a denominação não? Guerra civil? – dizia que mais do que discutir terminologia, o queríamos era saborear a paz. Era não perdermos tempo com a paternidade da democracia, já nos bastava sairmos a noite para vermos jazz e aplaudirmos a explosão teatral que se fazia sentir pelas ruas da capital.

Nessa altura o teatro era muito mais que uma simples arte de contar história. Era um micro espaço onde os actores se revestiam de alma de todos nós e reinventavam os seus sofrimentos. Gilberto Mendes, tal como na brincadeira das escondidas de mutumbela iria gungular que é preciso rir das próprias desgraças. É nisso que se transformou ou se fez o teatro de Gungu: um espelho de nós mesmos em todas as nossas vergonhas.

Mas não tínhamos nada que discutir política como diz a música angolana que Valdemar Bastos não se cansa de recriar e o fez muito bem com Dulce Pontes – você menino não fala política.

Sim mano, já nos bastava sermos cidadãos desta princesa de Índico. Olha que ser cidadão nesta nossa terra não é coisa fácil. Não falo de renuncia que cada um de nós se sujeita na altura de votação, onde nos dizem que é a melhor altura para exercer a cidadania. Falo concretamente de falta de opções para o tipo de cidadão que desejamos ser.

Sim mano Pota. Nos dão várias opções mas todas elas com um único modelo como se fosse uniforme prisional.

Percebes?

O que quero dizer é que este nosso país vai as eleições no próximo mês e ainda não me ofereceram alternativas para a escolha. Me dizem simplesmente que o partido no poder está errado e que precisamos de o afastar.

Mesmo que isso fosse verdade, preocupa me a inexistência de alternativa; preocupa-me que ainda não tenha aparecido ninguém a apresentar-me uma forma alternativa de fazer as coisas que diz estarem erradas do partido no poder, a dizer me: o meu plano é este.

Naquela altura não podíamos discutir porque precisamos dançar pela paz e saborear a liberdade de percorrer as distâncias desta pátria amada. O espectro da guerra pairava no ar.

Passados tantos anos, há gente que ainda não se apercebeu que o país avançou e ainda repetem o mesmo discurso como arma eleitoral. Perdem-se em insultos e promessas de perseguição e o tempo de apresentarem as suas ideias escasseia, voa.

Num debate televisivo sobre a democracia interna que vi em repetição hoje na STV, o maior tempo foi para os membros da Renamo presentes dizerem que não havia democracia na Frelimo e os da Frelimo dizerem que a Renamo, em face do que nos dá a conhecer, era o mais claro exemplo da ditadura. E daí?

E olha que os nossos partidos são especialistas em desculpas. A velha cantiga de falta de fundos para trabalharem não falta, como também não falta a já velha e gasta ideia de favoritismo de Estado por parte da Frelimo.

Estou a dizer mano Pota que não há exposição de ideias.

Ontem estava a ver na RTP a Grande Entrevista de Judite de Sousa e José Sócrates, onde o Primeiro-ministro de Portugal dizia claramente que a escolha seria, para além de propostas que ele e Ferreira Leite apresentam, as suas personalidades.

Está claro que Portugal vai escolher a personalidade do indivíduo. Um grupo de especialistas de moda já veio dizer que para impressionar, Ferreira Leite deve mudar tudo enquanto Sócrates deve mudar personalidade.

Que personalidade apresentam os nossos políticos. Que discursos trazem para nos impressionarem, o que podemos esperar do nosso próximo líder? O que estou a perguntar é o que vamos escolher? É isso que espero que a campanha eleitoral prestes a começar nos apresente.

Mas, meu companheiro, não preciso ser advinho para saber que a campanha será feita de insultos pessoais, provocações entre os apoiantes e os porta-vozes a esforçarem se para (como crianças) dizerem foram eles que começaram.

Depois dos últimos acontecimentos de vandalismo entre os simpatizantes da Frelimo e Renamo onde se diz que o líder da perdiz andou aos tiros, onde se diz que os membros dos camaradas saíram armados; com um país onde membros da perdiz arrancam armas a polícia por aquilo que chamam de “abuso” não posso esperar muito, nem mesmo me que me digam que somos todos iguais perante a lei.

O que espero, mano Pota, é te escrever sobre os livros que estão a ser lançados, continuar a discutir com os meus amigos da CNCD por causa da minha aversão a dança contemporânea.

Hoje vou ver um bailado de Casimiro Nhussi sobre ritual de iniciação, depois me perderei no Franco para o lançamento de disco de João Cabral e, procurarei ver a Rebelião dos Sinais, a peça de Rogério Manjate.

Mano, quando voltares espero que te sobre tempo para veres a minha peça de teatro com Xilofone.

Um abraço

PC

12 comentários:

Custódio Duma disse...

Amigo Mapengo,

Ainda nao sei explicar porque gosto de ti, se calhar é porque tens um espirito livre e eu preso pela liberdade.

Nao sei onde voce leu sobre a injustica de todos serem iguais perante a Lei, mas acho que mais do que tentar revelar um facto, quer revelar a incapacidade dos homens serem justos consigo mesmos.

O ideal de justica é a igualdade de todos e so homens livres podem perceber dessa igualdade em todos aspectos inclusive a perante a Lei.

Em mocambique nao somos iguais perante a Lei, ja o disse o anterior PGR na AR e eu na qualidade de Advogado o confirmo.

Li a carta oa Ouri Pota, gostei, imagino como deve ser a vossa amizade, distribuida entre a arte de escrever, de fazer arte, de observar os cenarios que nos sao oferecidos na cidade do Maputo e quem sabe no país inteiro e finalmente tambem envolvida na vida Bohemia, como nao deixaria de ser.

Mas voce escreve ao Ouri para lamentar do cenario triste que será a campanha eleitoral, a ver pela pre campanha.

Mais do que a falta dos candidatos, eu penso que nos os mocambicanos é que faltamos. Nos criamos esses politicos que andam por ai e temos medo de repreendelos.

Somos uma sociedade que merece a escumalha que tem. vais desculpar me mas olho para a nossa sociedade com certa suspeita na medida em que tenta exercer a sua cidadania fundamentando seus passos na mais pura hipocrisia e falsidade.

Uma coisa é a politica e outra coisa é a cidadania. a politica é feita de muitas mentiras, mas a cidadania nao deveria ser feita assim. A politica é feita sem olhar os meios, mas a cidadania devia ponderar os dois. A politica se preocupa com o hoje, com a estomago, com o poder e com os correligiarios, a cidadania se preocupa com o sempre, com a vida e com as pessoas.

Porque é que os nossos debates nunca sao transformados em accao! Porque é que os nossos ideais nunca sao defendidos e discutidos em mesa redonda com quem de direito e porque sempre optamos pelo discurso falacioso de estatisticas, numeros e exemplos caricatos, que embora ilustrem maputo nao se compatibilizam com o pais inteiro?

E a sociedade civil, mais do que um grupo de pressao, hoje transformou-se no braco do governo, vai por ai tentando fazer o que o governo devia fazer.

Temos problemas meu amigo, problemas de percepcao de cenarios e realidades, problemas de interpretacao e compreensao de conceitos e problemas de sermos fies, justos e verdadeiros connosco mesmo, por isso temos os politicos que merecemos, temos os partidos que merecemos e os portavozes que merecemos.

Achas que o Socrates e a Ferreira sobreviveriam o caos que nós acarinhamos?

Jah Bless ma man!

chidassicua disse...

Alo Poli...o pais da marrabenta ainda tem muito por caminhar e por aprender...
ja esta claro e bem patente que o povo esta cansado, mas nào temos alternativas nào temos oposicao.....porque a Renamo, maior partido da oposicao nào quer amadurecer como partido politico, pelo contrario ha evidecias que demostram que ela esta se enfraquecendo a medida que o tempo vai passando.....

Com o Deviz Simango acendeu-se uma luz no fundo do tunel.....como alternativa....mas eu ca tenho minhas reservas...mas nào podemos parar de sonhar...porque ai deixariamos de viver....os sonhos conduzem a vida...

amosse macamo disse...

Nao fala Política Mapengo!
Deixe-me que te conte uma história de um técnico português que treinou o Costa do Sol e que quando foi chicoteado e já de volta à sua terra contava aos seus amigos:
No clube eu estava ninguém jogava futebol à excepção do miúdo chamado Riquito. De tal sorte, que dava a camisola sete a este e ao resto atirava as camisolas ao ar, quem apanhasse jogava no número respectivo.
Transpondo esta história para a nossa realidade política, ou votas de olhos vendados, ou então das a camisola ao número 7 (Riquito).

Soube ler a sua carta, porque quando o fazia, ouvia Aurelio Kuwano e as suas estórias mirabolantes, que me fzem esquecer as tuas, minhas tristezas...

amosse macamo disse...

dizia que soube bem ler a sua carta e ja agora, escapava-me a questao do concerto de Alambique, ha la estaremos para tomar este sumo das saborosas tangerinas de inhambane que nos sera servido em substituicao de sumo de vibagre que nos obrigam a tomar.

Cachuada disse...

AO ‘SOM’ DA BATUQUE E ‘PETISCO’ DE MAÇAROCA:
Vamos comer “peixe com legume”!

Caro PC: no fim do 18º parágrafo ,pensei: porquê os (nossos?) políticos não são, a menos, como os portugueses? Mas fiquei aliviado no começo do paragrafo seguinte (“Ontem estava a ver na RTP a Grande Entrevista de Judite de Sousa e José Sócrates, onde o Primeiro-ministro de Portugal dizia claramente que a escolha seria, para além de propostas que ele e Ferreira Leite apresentam, as suas personalidades”).
Aliviado pela coincidência (em pensarmos na incapacidade e (im)possibilidade de os políticos cá da casa fazerem o “copy & past” dos lusos. Também porque eu, justamente por falta de alternativas, grudei-me na RTP e fiquei atado à Grande Entrevista de Judite de Sousa com José Sócrates. Mano, permita-me que ponha um ponto e vírgula aqui, pois, antes vamos re(ler) a visão de Custódio Duma. Diz o advogado que:
1.“Mais do que a falta dos candidatos, eu penso que nós os moçambicanos é que faltamos. Nos criamos esses políticos que andam por ai (…)” É verdade! É verdade que Moçambique é terra que espera de ser habitada por (outros) moçambicanos. Nesse caso, nós (eu, Duma, você, Ouri …) somos a cópia perfeita do Jesusalém (de Mia Couto, que os detractores do Mia me perdoem pela indigestão que terei provocado!) Nós não existimos e a prova Duma nos oferece a bandeja, quando diz que, mesmo nesse além inexistente, utópico, criamos os (nossos) políticos.

2.Grave ainda, segundo Duma: “temos medo de repreende-los…Somos uma sociedade que merece a escumalha que tem … olho para a nossa sociedade com certa suspeita na medida em que tenta exercer a sua cidadania fundamentando seus passos na mais pura hipocrisia e falsidade.” Te subscrevo, Duma: “Uma coisa é a política e outra é a cidadania. A política é feita de muitas mentiras, mas a cidadania não deveria ser feita assim.”

3. “Porque é que os nossos debates nunca são transformados em acção! Porque é que os nossos ideais nunca são defendidos e discutidos em mesa redonda com quem de direito e porque sempre optamos pelo discurso falacioso de estatísticas, números e exemplos caricatos, que embora ilustrem Maputo não se compatibilizam com o Pais inteiro? Oh, Duma, a resposta deste-nos: faltam moçambicanos para repreender os políticos que, para obterem o pão, usam a mentira. Em suma: não há, ainda, a cidadania!

Vamos subir boing até Lisboa? Vamos mano, para falarmos de José Sócrates e Ferreira Leite! Dizes na carta que “… o Primeiro-ministro de Portugal dizia claramente que a escolha seria, para além de propostas que ele e Ferreira Leite apresentam, as suas personalidades”.

Eia, PC: temos personalidades neste Jesusalém? Não, arrisco-me a afirmar que “não” porque, à medida que nos aproximamos do 28 de Outubro – dia eleitoral – sinto-me aflito cada vez mais sufocado. Sufocado porque não terei em que(m) votar!

Nunca votei, confesso! Mas tinha jurado para mim mesmo que, como cumpridor das 3 leis recomendadas ao humano antes de morrer: não escrevi um livro, mas jornais; não fiz Jusus Cristo (não sou judeu!), mas um Kaká ; não plantei um embondeiro, e, sim, uma papaieira (tenho pressa de comer a fruta, conta tanta morte a nos lamberem nunca se sabe!). Mas , jurei exercer o 4º direito: votar antes de morrer!

Enquanto isso, espero ir , na companhia do Ouri, a peça do seu Xilofone: “ Teu voto é teu poder! Não interessa se noutra encarnação ou no Jesusalém. Mas até lá, não nos esqueçamos do “PEIXE COM LEGUME” que já está na panela e alguns escolherão para saborearmo-lo ao som de batuque e petisco da maçaroca porque é que o único prato neste regabofe eleitoral que se avizinha!

(Anselmo Titos /Jornalista(@VERDADE)

PC Mapengo disse...

Mano Duma
Não sei se fico aliviado por concordares com a primeira frase da minha carta sobre “igualdade perante a lei e a injustiça”. São daquelas coisas que preferimos não ter razão e vivermos a ilusão de que o mundo, neste caso o nosso país é um lugar perfeito.
Cacguada, esse meu companheiro de todas as velhas batalhas também não ajuda quando aparece a perfilar do seu lado mano Duma. Eu preferia que os dois aparecessem a me dizer que é tudo uma falsidade pois, nesta nossa pátria amada, somos todos iguais perante a lei e que isso reflectisse a justiça.
Fazes uma bela separação entre a cidadania e a política Duma e, mais uma vez, como Cachuada diz “não temos Cidadania” e Moçambique precisa de ser habitado por MOÇAMBICANOS. Fala de gente que conhece os seus direitos e não deixa para os outros a RESPONSABILIDADE DE OS FAZER FELIZES. Estamos todos desesperados por um salvador. Desfilamos com os camaradas, andamos no ninho da ave e agora espreitamos desesperadamente para Daviz Simango e o seu MDM. E nós? O que estamos a fazer para que os nossos políticos apresentem uma verdadeira personalidade e não que Duma chama de MENTIRAS?
É verdade Duma, e facto de teres razão também aqui me preocupa, nós merecemos os políticos que temos.

CHIDASSICUA
È bom te ver por este meu correio.
Compreendo a sua dúvida sobre MDM. O problema caro historiador não é Daviz. Ele pode nos dar essa tónica de sonhar e nós precisamos sonhar, mas me deixe não ter esperança desse lado, já ouvi muitas palavras bonitas que não significam nada. Penso que nós mesmo é que teremos de construir nossos sonhos e nossas próprias esperanças para podermos comandar as nossas vidas.
Precisamos de uma sociedade civil que dignifique esse nome e não uma plataforma para a criação de partidos políticos ou cargos políticos que os permita repetirem o nosso ciclo.
Precisamos de lembrar aos políticos que esta pátria não é só deles, que nós não somos uma propriedade privada deles.

Amosse Macamo

Estou ansioso por ver Alambique, saborear, como tu esse doce sabor, me deixar embriagar de tantos ritmos e me ressacar ao som dessa velha turma.
É Duma, eu e Pota junto com outros jovens jornalistas culturais experimentamos uma espécie de boemia e vasculhamos a noite não só em trabalho mas pelo belo prazer de saborearmos o que Maputo oferecia em termos de música. Era um tempo que antecedeu os pandzas e dzukutas. Tínhamos as nossas pastilhas musicais mas também verdadeiros astros ou promessas.
Me recordo agora dos meus amigos de K10, que era (posso dizer era?) um grupo que eu admirava de verdade mas que por vezes não compartilhavam – ainda bem – os mesmos pontos de vista em relação ao que havia sido um certo espectáculo.
Mas essa é uma outra história

Julio Mutisse disse...

Eu tinha jurado para mim mesmo que não voltaria a falar mais de cidadania. O país tem 20 milhões de pessoas e, desses, pouquíssimos cidadãos. Havendo poucos cidadãos, temos muitos habitantes, passivos, que não se expressam e dos quais não podemos esperar, tão já, o despertar de consciência crítica.

“A cidadania expressa um conjunto de direitos que dão à pessoa a possibilidade de participar activamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social” (DALLARI, Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. p.14).

Escrevi no meu blog ano passado que A herança colonial e a visão revolucionária dos primeiros anos de independência podem constituir barreiras culturais e históricas para o sentido de cidadania que devemos ter no contexto de uma democracia como a que pretendemos construir. Um dos reflexos dessa barreira é o nosso distanciamento em relação a coisa pública ou o alheamento quase completo em relação às políticas que, em nosso nome, os sucessivos governos da República de Moçambique tem adoptado. Nesta época eleitoral, é a despreocupação quase que absoluta em torno dos "produtos" de cada candidato para nos concentrarmos naquele que mais dá capulana. Neste aspecto o Noa Inácio disse me que até capulanas podem ser a medida para saber se um presidente pode ou não construir uma escola. Um que não dê capulana é capaz de não conseguir furar um poço perto de mim. Pode ter razão, mas temos que evoluir para outros critérios de avaliação; sermos cidadãos.

A cidadania é, portanto, o conjunto dos direitos políticos de que goza um indivíduo e que lhe permitem intervir na direcção dos negócios públicos do Estado. O grosso do moçambicano não intervém, não TEMOS CIDADANIA ou esta é deficitária.

A cidadania não nos é dada, ela é construída e conquistada a partir da nossa capacidade de organização, participação e intervenção social.

A cidadania não surge do nada; nem a consagração legal de certos direitos deve ser tida como a realização desses direitos. É necessário que o cidadão participe, seja activo, faça valer os seus direitos. Construir cidadania é também construir novas relações e consciências. A cidadania é algo que se aprende não só com os livros, mas, também, com a convivência, na vida social e pública.

A educação é fundamental para a construção do ideal de cidadania e para o despertar de consciências sobre a coisa pública. É por isso que entendo o déficit de cidadania que vivemos: a maioria dos moçambicanos é ainda analfabeta em 200____ será reduzida essa cifra para 30%, isto é, potencialmente, nesse ano teremos apenas 30% de habitantes.

Esperemos o Alambique. Esses anos de boémia forma extraordinários; o casamento resfreou esse meu lado (?).

PC Mapengo disse...

Hehehehe Júlio meu mano, vais começar a culpar o casamento por tudo.
Ainda bem que não cumpres com a tua promessa de não voltar a falar de cidadania. Penso irmão que a melhor maneira de fazermos deste país o que realmente queremos que seja é continuarmos a pregar o evangelho que acreditamos.
Num país jovem e em construção como nosso não podemos nos dar ao luxo de nos cansarmos. Os bons não se podem dar o prazer de ficar calado.

mãos disse...

Mano PCMapengo,

Mil Kanimabos, por enviar esta carta do Indico

Perguntas sem respostas imediatas, alias são questões para reflectir mano…aqui colocas uma parte da estória pois esqueceste o que não me esqueço, as quartas ou quintas (? será) esperava por si ali Av.24 de Julho, em frente da Assembleia da República, na entrada do Jornal Campeão para pegar a página cultural...lembras? mas como dizes, será outra estória…

Esta carta é comprometedora mano…não te assustes, apenas quero dizer que estamos comprometidos com a profissão, pois as noites que aqui te referes houve e haverá sacrifício, familiares, amigos…nem sempre poderão ter o nosso carrinho como eles pretendem ….

Olha mano, essa de “opção” me remete a preocupação, a luta sobre o espaço nos media e não só…para discussões de assuntos ligados a Arte…

“Vamos afastar” esse é o Hino de sempre…por vezes vamos por “imagem” de que representa a corrida e não pelo “Menu oferecido”(plano / programa), mesmo que o programa seja o mesmo, difícil de implementar por vezes caímos na ratoeira por vários motivos mano…

Diria, este é o melhor momento dos artistas pegar a fase que vivemos e transportar isso para o papel, cassete ou disco, cinema, telas…daria um belo Workshop (?) ou seja intercâmbio…compras esta ideia mano?

Mano aguardo a sua escrita sobre os livros, as exposições, os concertos… a arte.

Porque esta carta vem do Indico, 10 horas para quem vem de avião e minutos para quem usa as ferramentas que a Web oferece, vou dormir, acordar e…com sons do indico ouvindo XA TIMA HI BODLELA, ABCD, do Salimo Muhamad, misturando com HI TA XLHAULA MANI, dos Kapa Dech

Mano já pedi ser um dos autores da peça de teatro com Xilofone….ainda há vagas?

Esta carta (risos) não foi escrita a moda antiga(não vi selos, não senti o peso para adivinhar se havia fotos ou não…não tinha sinal de cruz para anunciar tristeza…)

Obrigado Mano

Um abraço
Ouri Pota

PC Mapengo disse...

Pota
Há coisas que não nos podemos esquecer. Me deixe cantar nesta minha voz desafinada não vamos esquecer o tempo que passou…
Tu pegas esta carta em outra vertente diferente a que vinhas debatendo. Retomas a questão de opções mais para a área de comunicação, neste caso jornalismo cultural que foi nosso ponto para olhar para a música.
Olha Pota que o jornalismo não é um espaço a parte. As poucas vezes que aparecem manifestos culturais o que dizem sobre a cultura? NADA.
Se olharmos para o sector cultural – o ministro da educação (e cultura?) dirá que já realizamos festivais. Vamos ser franco, a cultura ainda é parente pobre. Ainda não se investe para que a cultura seja uma fonte de rendimento, para que contribua para o PIB deste país. O que ouvirás nos discursos bonitos é que este é o país onde se aprecia a cultura. Bonito.
Voltando a tua praia que é jornalismo cultural, durante muito tempo este espaço foi usado como viveiro para jornalistas. Uma espécie de estágio. Quase sempre os jornalistas que se evidenciavam aqui eram passados para outras áreas como a sociedade ou política. Alguns conseguiram permanecer, tu és o exemplo desses.
Meu companheiro, não vamos nos esquecer do tempo que passou. Dizes tu: “este é o melhor momento dos artistas pegar a fase que vivemos e transportar isso para o papel, cassete ou disco, cinema, telas…daria um belo Workshop (?) ou seja intercâmbio…compras esta ideia mano?” Compro claro.
No meu Xilofone ainda há vagas para ti companheiro, como disse Cachuada, agora estamos a preparar uma peça sobre “o poder do cidadão a traves do voto”.
Aquele abraço, também tenho tempo para ouvir os hinos clássicos dos nossos músicos e espreitar os meus autores nacionais preferidos como Paulina Chiziane.

Anónimo disse...

Ola PC Mapengo, ja diz o velho ditado quem vive de passado e museu, a vida e feita de fases e quem nao sonha nao tem gosto pela vida. A sua carta gerou um bla bla e tanto,tenho ca por mim que isso foi proposital. acredito que os comentaristas se deixaram levar por ela(a carta). Dizer que dentro de cada um de nos existe um lobo mau, que nos faz perder a cabeca quando nao controlamos os nossos sentimentos.Alguma vez ja parou um minuto para se fazer a seguinte pergunta:
QUE TENHO FEITO EU PARA MELHOR O MEU BELO E RICO MOCAMBIQUE.
"Ser cidadao e vestir a camisa, projectar, sonhar, criar e acreditar e si mesmo. E ter a certeza de que se nao certo hoje amanha vai dar certo.E apoiar e nao criticar, e ajudar a levantar e nao afundar.Caro amigo PC a vida e feita de oportunidades.E todos nos contamos com as mesmas 24 horas, faca as suas renderem ao maximo, nunca rejeite a oportunidade de se superar.
Caro amigo PC" sua atitude determina sua altitude"-E em outubro todos vamos exercer o direito do voto, mais antes pensar bem, para depois nao ter a consciencia a doer.
Sou a PZ, MOCAMBICANA RESIDENTE NA UCRANIA,cresci na Matola, um abraco a todos Matolenses!!!

PC Mapengo disse...

Ola PZ, desta Matola acho bom ver um comentario de uma matolensa na Ucrania. esta carta deindico era mesmo para gente desta pátria que mesmo estando longe fazem alguma coisa para ela seguir o sucesso.
A minha carta pode ter mostrado uma faceta de desesperado mas não sou assim e acredito sempre que "a vida vai melhorar" e acho até que este país está num bom caminho e alguma coisa está a ser feito. acredito que amanhã vai ser melhor.